sexta-feira, 16 de junho de 2017

Izzie, eu te entendo

Izzie, eu te entendo. Entendo sua angústia e desespero. Sei que a vontade maior é de voltar no tempo e fazer as coisas tomarem um rumo diferente. Mas não vão tomar, então desista. Eu te entendo. Entendo quão grande é a sua frustração. O quanto parece impossível refazer os planos, mudar o rumo dos sonhos, enxergar uma nova possibilidade. Agora não há mesmo novas possibilidades. Aceite. Izzie, eu sei como é ver todas aquelas palavras bonitas virarem fumaça porque o destino, ou a vida, ou o acaso, fizeram questão de mudar tudo e te deixar de mãos vazias. Isso está fora do seu controle. Não se desespere. Eu sei Izzie que parece irônico ter o sonho realizado e em fração de segundos tudo desmoronar. Do céu ao inferno em uma respiração um pouco mais longa. É difícil. Parece que nada mais vai funcionar, nada mais vai fazer sentido. E agora não faz. Mas sabe, Izzie, eu tenho certeza que, assim como eu, você não se arrepende. Você sabe que deu o seu melhor e lutou o máximo que pôde. Você não desistiu, você cuidou, você apoiou, você segurou a mão, você amou. Amou um tanto que mal cabia dentro de você. Amou até transbordar. Amou. Ama. Foi amada. É amada. E assim como poucos entendem a sua dor agora, poucos foram amados como você. Todos que te disseram que era loucura, que você não deveria entregar seu coração a um caso tão complicado, não sabem o que é ser amada como você foi. A certeza de que não há culpados, não há erros, não há desistência é o único bálsamo existente. O que você viveu, Izzie, é raro. É entrega pura, verdadeira, daquelas que vão marcar sua vida pra sempre. Então viva o seu luto. Todo fim precisa ser sentido, pode dilacerar, pode paralisar, mas precisa ser vivido. E então, Izzie, quando você for capaz de vislumbrar um pequeno feixe de luz a diante, abra os olhos. Abra os olhos devagar, se acostume novamente à luz. Até que seja capaz de se olhar no espelho e ver que, no fim de tudo, você foi e é uma privilegiada. Acredite em mim como eu entendo você.

Referência: Izzie Stevens, do seriado Grey's anatomy.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Te espero

Aceito sua ausência. Ela é sentida diariamente. É encontrada em cada olhar perdido meu. É percebida por qualquer um que esteja um pouco mais atento. Mas não há dor, ou ressentimento. Há fé. Há esperança. Sua procura é tão longa e angustiante quanto a minha. Eu entendo. E aceito. Porque além de vontade de te ver de novo, há certeza de que esse momento tem seu próprio tempo. Sinto saudade. Saudade porque eu sei que há de ser um reencontro. E sei que você também sente essa distância rasa, estreita, próxima... Você sabe que se estendermos as mãos, poderemos tocar um ao outro. Caminhamos lado a lado. Posso sentir seu cheiro, o calor da sua respiração no meu cabelo, num abraço longo e consolador. O timbre da sua voz é familiar, é melodioso, é um pouco meu também. Se prestar bem atenção, consigo ouvir o som das teclas enquanto você digita seu relatório para a empresa. E você também ouve o som das minhas teclas, e sabe que escrevo para você. Sabe as músicas que vou ouvir enquanto te escrevo, e procura suas cifras para me acompanhar. Sabe ainda que será meu companheiro quando for visitar a torre Eiffel. E que vai tirar aquela foto clássica, já que é você que conhece meu melhor ângulo, e liberta meu sorriso mais gostoso, minha risada mais sonora. Sabe também que a minha afinação voltou, só porque você está perto o suficiente para aquecer tudo, até minhas cordas vocais. Sabe que aquele pijama macio espera por você dentro da gaveta. Sabe que se há brilho nos meus olhos é porque eu sei que vou ver você ajeitando os óculos para me ver procurar feito louca minha caneca preferida, que você escondeu de propósito. E ver você tirando os óculos quando eu chegar perto e te pedir um beijo. E você vai sentir minha pele gelada quando percebo que vou ganhar um pouco mais que isso... Essas certezas nos acompanham. São elas que tornam essa espera menos sofrida. E essa saudade só não dói porque de algum jeito, misterioso e óbvio, estamos juntos nessa espera, certos de que falta muito pouco...

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Lá estava o menino. Ele estava ali, sentado no cantinho, tentando acertar quantas joaninhas pousaram na parede. Ele não queria ouvir. Eram gritos muito altos. Aquele som o acompanhava fazia tempo, e ele só queria um pouco de silêncio. Um silêncio em que coubesse sua voz de menino, seus medos de menino. “Por que falam tão alto?”, pergunta o menino para si mesmo. E uma voz generosa responde dentro daquele coraçãozinho: “É que eles estão distantes demais para ouvirem um ao outro.” Um pouco espantado, e encucado, o menino questiona: “Longe? Como longe? Eles estão pertinho, lá na sala de TV!”. E a voz paciente esclarece: “Seus corações, meu menino, esses sim estão muito longe. É preciso gritar para ser ouvido”. Sem saber muito bem como, o menino entende exatamente o que aquela voz quis dizer, e tudo faz mais sentido agora. Inquieto, ele olha em volta, passa os olhos devagar pelos espaços, como quem procura. Se abaixa diante da porta do quarto do irmão mais velho, e dá uma olhadela por debaixo da porta. “João tá de brincadeira comigo, só pode!”, ele se convence. “Não é o João, meu menino”, se manifesta a voz dentro dos seus ouvidos. “Sou Eu. Seu melhor amigo. Fique sossegado. Eu estou aqui”. “Meu melhor amigo? O Pedrinho tá na casa da vó dele!” Então a voz mansa sorri levemente, e ajuda: “Eu ouvi sua oração enquanto contava as joaninhas na parede. Eu te ouço todas as noites. Sei que as brigas te amedrontam, e que você pensa que seus choros não são ouvidos por ninguém. Mas eu te ouço, criança. Eu te sigo por onde vai, recolho suas lágrimas, alivio suas dores, escuto suas preces...”. “Escuta mesmo? Duvido! Escuta nada! Eles ainda brigam todos os dias e parece que só piora! E eu fico aqui, sozinho!” E mais uma lágrima desce daqueles olhinhos sofridos. “Oh meu menino... há tanto para entender... e você é apenas uma criança. Eu quero abrir os olhos do seu pai. Quero mesmo. Quero fazê-lo entender que a bebida faz mal demais a ele, e que o trabalho enobrece. Sua mãe também chora quando você está dormindo, e me pede força. O que ela não entende é que eu só posso agir através dela mesma. Ela precisa agarrar a força que eu ofereço e tirar vocês daqui até que seu pai melhore. Mas ela também tem muitos medos. Você entende?”. Os olhos do menino estão arregalados. Como aquela voz pode saber tanto sobre ele, seus pais, suas lutas? Como ele sabe que seus dias são chorosos, e que sua família está por um fio? A luz acende. É sua mãe. Ela se abaixa, olha para seu menino. Seus olhos estão marejados. Mas há tanta ternura neles... Ela veio dizer que o jantar está pronto. “Vem almoçar, meu amor! A mamãe fez sobremesa!”

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Liberdade

De repente acorda e se dá conta de que está vivo. É capaz de sentir o sangue percorrendo suas veias em alta velocidade, quase queima. O cérebro processa informações nunca antes percebidas, e os pulsos pulsam como nunca. Sentimentos se organizam de forma lógica e clara. É tempo de liberdade, de libertação. O corpo entra em uma sintonia palpável com o todo, e entende finalmente onde pertence, qual é o seu lugar. Seu lugar é o mundo. Não há mais amarras frouxas. O elefante se dá conta que é mais forte que a corda, e ele a arrebenta como um nó frouxo. As cores vibram, brilham, realçam. Formam mosaicos coloridos e intensos, como o coração. Este se dá conta de quanto tempo perdeu. Perdeu tempo, perdeu vida, perdeu a chance de bater descompassadamente por tantas vezes. Um descompasso que equilibra, liberta, emana humanidade. Humanidade esta que estava esquecida em meio ao caos da realidade que aprisiona. Necessidades práticas empurram a vida para o canto. Aperta até explodir. E nessa explosão as energias se espalham em ondas intensas de calor e força. Coragem. Coragem para o não. Coragem para o sim. Coragem para o “vem”. Coragem. Reencontro. Reencontra quem é, o que quer. Reencontra a si mesmo. E comemora. Comemora naquele bar que sempre foi, com a cerveja que sempre bebeu. Comemora com o de sempre, porque nova é a lente que usa pra ver o mundo!

sexta-feira, 29 de março de 2013

O meu outono...


Passou o tempo. Hoje, parece ter sido tão rápido... Uma calmaria leve toma conta dos meus dias, antes tão desgastantes e sofridos. Hoje, a palavra de ordem é construção. Construo rotina, planos, laços. Construo o momento pelo qual tanto esperei. Hoje é tão claro o quanto cada minuto angustiadamente acompanhado foram úteis. Aprendi a medir o tempo e a deixa-lo passar. Passar! Deixar o tempo e suas mágoas irem embora. Permitir que as lembranças sejam mais superficiais e menos doloridas. E hoje elas são. Cada dia mais suaves, uma brisa que a gente quase não sente chegar. E se antes os minutos passavam lentamente, hoje já não os observo mais. De repente são dezoito horas, de repente é sexta-feira, de repente já é outono! E de repente em repente, os dias vão passando com uma felicidade discreta, contida, real. Acho que vivo agora em um outono permanente. Temperatura suave, um solzinho cálido, aquela brisa leve. Caem folhas velhas, recupero a vitalidade perdida em tantos anos de cansaço, economizo energia para o verão, e fica aquela sensação de equilíbrio constante. Até quando será assim? Só Deus sabe!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O que restou de nós


A gente nunca mais se viu. Não tenho notícias suas desde aquele dia. Nem você de mim. Sei que você me culpa pela sua infelicidade. Diz que eu poderia ter feito diferente, e que as minhas escolhas te afetaram demais. Sei que se pergunta todos os dias como teria sido. Sei que passa na minha rua quando pode pra ver se estou na janela. E que as lembranças de nós dois te perturbam como fantasmas insistentes. Eu sei. E não fiz. E não faria. É assim que deveria ser, como é. Ficou muita coisa não dita, não vivida. Mas tudo foi sentido até a última gota, até o último sopro de querer. E se você quer saber, não foi nada fácil pra mim também. Evitei (e acho que ainda evito) qualquer coisa que lembre você. Nada de botões de rosa, nada de Guns, nada de mensagens em inglês. Sendo assim, sobrou quase nada. Só uma saudadezinha que vez ou outra perturba o sono, arranca um sorriso, provoca um brilhinho nos olhos. Uma lembrança fora de foco de um beijo sofrido, cheio de culpa. Um cheiro marcado que a lembrança faz sentir de longe. Ás vezes lembro os planos que fiz sozinha pra nós dois. E que no minuto seguinte deixava ir porque sabia que eram bobagens. Supero a sua ausência todos os dias. E quando consigo, finjo que você nunca existiu. Porque a gente nunca mais vai se ver. 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Romance


Eles se gostavam
Eles se entendiam
Estar junto era acalmar o espírito
E se aconchegar

Mas aí... descompassou
As notas já não formavam melodias
As palavras não se transformavam em poesia
Desandou

O mais difícil era admitir
Olhar nos olhos e dizer que o voz e violão já não combinavam
Aceitar que os passos eram descompassados
Não dava pra caminhar

E foi triste
Feito criança que cai do balanço
Ela chorou
Ele se arrependeu

O fim desse romance
Que não deveria ter tido fim
Deixou marcas na história
E saudade no coração...

sábado, 25 de agosto de 2012

Esperando...


A vida nem sempre espera de nós ações. Às vezes ela pede apenas que a gente espere. Seu tempo é diferente do nosso tempo. Seus planos são diferentes dos nossos planos. Esperar ensina. Ensina a ter paciência. Ensina a rever planos. Ensina onde cada coisa deve de fato ficar. Ensina que nossos olhos enxergam raso. Ensina que felicidade e sucesso requerem tempo. Um tempo que por vezes nos parece longo, mas não é. Nada é muito quando se pode ter o melhor. Tudo vale a pena quando o objetivo é o melhor. E aí a gente pacientemente espera. Agora mais consciente do quanto é bom. Agora mais confiantes da vitória. E da próxima vez, esperar será menos angustiante. Esperar será uma preparação para a felicidade!

quinta-feira, 22 de março de 2012

Mais espaço... menos pressa!


O que é crescer? O que é amadurecer? Em que momento isso acontece?... O tempo. Esse danado que passa e leva tanto da gente. Leva nossa inocência, crença, pureza. Para preencher o lugar, traz realidade. Só ela, porque é tanto... tanto que transborda. Transborda em choro, em cansaço, em desgaste e essas coisas todas que a gente sente quando tem realidade nos nossos dias. E tem tanta coisa pra encarar, tanta realidade pra absorver que quando a noite chega e a cabeça encosta no travesseiro, parece que se passaram anos. E talvez tenha de fato se passado anos no calendário, e a gente nem viu. É que tinha tanto fora da gente que o que estava dentro se refez, tomou nova forma. E sabe pra quê? Pra caber mais. Caber mais realidade, e ainda ter um espacinho pros sonhos... Ah sim! Eles voltam quando a gente amadurece! Eles voltam porque estamos prontos para realiza-los. Sem a ilusão da juventude, sem sua pressa e ansiedade. Com tempo. Porque descobrimos que o que ele traz é muito mais do que ele levou. E que ele só levou porque precisávamos de espaço. Maturidade é transbordar cada dia um pouquinho menos, é ver doçura na tal realidade que parecia tão amarga. Amadurecer é entender que há tempo pra tudo, não é preciso ter pressa. Aumentar o fogo faz o fundo do bolo queimar. Então deixa em fogo baixo. Menos pressa, mais delicadeza, mais jeito, mais habilidade. Tato com a temperatura, com o tempo, com a força. Pra que tanta?

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Encontro Inesperado


Passos distraídos fazem o mesmo caminho de sempre, automaticamente. Os pensamentos, de tão longe do corpo, parecem ter se transportado para outro lugar. E de repente, a surpresa.  Uma voz estranha entra naqueles ouvidos fechados, que se abrem em um rompante de medo e curiosidade. Materialidade. Olhos vivos sorriem para ela, olhos que apenas estão em sintonia com os lábios. E dos lábios sai a voz que ela tanto queria escutar. Depois do susto, a calmaria. Todo o desassossego vai embora e a deixa ali, ao lado dele. Ela que tanto queria estar ali. Ela que, apreensiva e angustiadamente, esperava por aquele encontro. Coisas do destino. Ele que sempre faz arranjos melhores que os nossos, que sabe tanto do tempo. O tempo, que sabe mais do destino que nós. Nós que não sabemos quase nada, nem sobre o tempo, nem sobre o destino...

Para você que me proporcionou um "doce novembro".
Essas palavras expressam meu eterno carinho...

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Renovação


Chegou dezembro. Nunca fui de fazer muitas reflexões nessa época. Mas esse foi um ano que merece um momento exclusivo dos meus pensamentos. Acho que posso dizer que me renovei, me refiz. Refiz comportamentos, refiz vontades, refiz sonhos, refiz hábitos, refiz sentimentos. Me reinventei. Me redescobri. Me reencontrei. Passei anos esquecendo de mim para satisfazer outro, qualquer outro, talvez você, nunca a mim. Passei anos me apoiando em algo que agora descubro ser de fumaça. Ao me dar conta disso me vi de pernas bambas, como uma criança que ensaia os primeiros passos. Caí. Muito. Doeu. Me machuquei muito também. Mas não demais. Apenas o suficiente para conhecer meu poder de reconstrução. Sim, me reconstruí. Mas agora em bases sólidas. Em mim mesma. Em minha fé, meu poder de escolha, meu poder de decisão. Hoje me vejo como uma certeza, não mais como uma possibilidade. As pernas agora estão mais firmes. O choro já não vem pelos mesmos motivos. Ou até vem, mas sem a mesma intensidade. A criança cresceu e deu lugar a uma moça ainda frágil, ainda sedenta de carinho e afeto, mas não mais dependente disso. Uma moça que sonha cada vez mais alto, mas não depende de ajuda para realizar. Uma moça que se arrisca um pouco menos, porque reflete e sabe que nem todos os riscos valem a pena correr. Essa moça ainda tem medos grandes, ainda chora de raiva, ainda é sensível demais, ainda se apega e sofre. Mas talvez um pouco menos, ou com mais de maturidade. Os desesperos constantes são apenas uma lembrança. Ou talvez nem isso. Agora essa moça sabe que tempo não diz muita coisa. Ela aprendeu a encarar suas angústias que ainda vem, e a superá-las em seu tempo, porque não há mais quem diga que são bobagens. Ela sabe que haverá muitos testes para sua nova versão. Ela sabe que vai fraquejar muito. Ela sabe que muitas dores estão por vir, porque a vida é assim. Mas ela não se desespera mais, não se deixa ser tomada pelo desespero dilacerante. Se aquieta e chora, até que o alívio chegue. Ela é feliz assim. Eu sou feliz com essa nova moça que mora em mim. E o tempo, que mostra quem fica e quem vai, mostra também quem chegará. E agora sou uma pessoa um pouco melhor, que merece mais. Uma companhia melhor. Pode vir, estou te esperando. “Venha quando puder”.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Fragmentos do viver


Tanto pra dizer, tanto pra doar, tanto pra sentir, tanto pra viver...
São esses meus sentimentos e pensamentos. Tanto que quero, que chega a doer ou a me “embobecer”.
E sem coragem de sair, a vontade cresce e ganha volume em um pequeno espaço. Se agiganta e toma conta.
Invade-me e me faz, finalmente, tomar atitudes para viver o meu tanto querer.

Viver. É esse o verbo.
Vontade é um dos combustíveis do viver.
De viver e sentir vontade eu vou é buscar minha satisfação.
Não por puro e mero prazer.
Mas para me sentir completo e a outros igualmente poder preencher.
É o alívio de uma saudade que a gente nem sabia que sentia;
É o medo que devagar se torna pequeno demais para ser sentido;
É a vontade que se avoluma no peito
É a ausência de certezas que angustia

Vou caminhando e aprendendo.
Nem sempre em terreno sólido, nem sempre em lugares bonitos.
Mas sim em caminhos necessários para compor o cenário da minha vida, do meu ser.
Nem tudo é certeza, porque o caminho é construído a cada passo.
Em alguns momentos a sós. Em outros, em boas companhias.
Clarice tinha toda razão. O destino sempre faz arranjos melhores que os nossos. Nós não sabemos quase nada. Apenas supomos vagamente.

Suponho:
“Ter atitude nem sempre é sinônimo de agir”.
Nesses terrenos por onde ando, está aí o agir. E, com certeza, ele está inserido num âmbito maior do que os das minhas suposições.
Regendo minhas atitudes, o meu viver.

Suponho:
“O tempo que sabe mais do destino que nós.”
Nós que não sabemos quase nada, nem sobre o tempo, nem sobre o destino...
E deixo-me assim temperar, porque de suposições e viver. Prefiro continuar a me impressionar com o que a vida tem a me oferecer.
Ronni e Mari


Composição a duas mãos. Ou dois corações... Uma experiência nova.  Rica. Frutífera. 
Espero que seja apenas a primeira de muitas!
Feliz com o resultado...
Obrigada, meu doce amigo.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Por não estarem distraídos... Clarice Lispector

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água de les, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

Pela primeira vez um texto que não é meu, mas que merece registro. Vc consegue "se distrair"?

domingo, 25 de setembro de 2011

Aquela dança

Ele, um forasteiro. Ela, quase natural dali. Uma conversa simples, risadas fáceis. E de repente o que parecia apenas uma empatia se torna uma sintonia compassada. O som que embala a noite embala também aquele encontro casual. O acaso. Sempre ele. Brincando com nossos dias. A princípio, uma dança tímida, retraída, medrosa... Aos poucos, a conexão começa a ser sentida, e os pés ganham vida própria. A música cadente torna os passos melodiosos. Com um olhar atento, é possível ver as notas se formando na sola dos pés e invadindo o salão. Os corpos já não precisam ser vistos. De olhos fechados, o corpo colado no corpo responde aos sentidos mais aguçados. Já não é preciso prestar atenção, o importante é se deixar levar... Sem medo, sem timidez, livre. Livre de qualquer pudor. Livre de qualquer erro. Despretensiosamente. E a música, antes tão envolvente, se torna uma melodia vaga e baixa. Afinal, o que os envolve agora é a dança que os transporta para longe dali...

Para o meu melhor par...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Quem são vocês?

Quem são essas pessoas que nos cercam? Quem são essas pessoas que nos sorriem tão abertamente? Quem são essas pessoas que preenchem as nossas vidas com sua presença mascarada e irreal? Como é possível manter armaduras e disfarces tão bem elaborados que chegam a nos convencer? Em quem é, de fato, possível confiar? Começo a acreditar que somos apenas nós por nós mesmos. Cada um se vira como pode com si mesmo e seus fantasmas. É a única forma de estar seguro, protegido daqueles desconhecidos que fazem parte das nossas vidas.
E se vc souber quem são, corra logo e se esconda!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Eu quero

Eu quero...

Eu quero alguém que tenha tempo. Tempo para meus sorrisos insistentes, para meus dramas patéticos, para meus filmes infindáveis, para meus sonhos constantes e delirantes...
Eu quero alguém que tenha verdade. Verdade no que sente, verdade no que sonha, verdade do que tem, verdade no que espera do acaso...
Eu quero alguém que tenha possibilidades. Possibilidade de viver o inteiro, de encarar o desconhecido, de enterrar o passado e construir o dia seguinte com alegria...
Eu quero alguém que tenha coragem. Coragem de arriscar o certo, coragem de viver com intensidade, coragem de errar, coragem de se entregar...
Eu quero alguém que tenha sonhos. Sonhos bobos, sonhos grandes, sonhos daqueles que fazem a gente rir só de sonhar...
Eu quero o inteiro, sem restrições, sem ponderar, sem medir, sem pensar. Eu quero o todo, com suas facetas desconhecidas, feias, sombrias, luminosas. Eu quero tudo, completo, irrestrito, incondicional, integral.
Eu quero!

sábado, 16 de julho de 2011

Sonho e pesadelo

Sem que se possa prever, acontece. Sem avisos ou sinais, chega. E aquilo que parecia impossível se materializa a frente, indecifrável, indescritível, real. Mexe com cada centímetro da alma, domina cada fração de pensamento, entorpece. Leva para o céu, arremessa para a escuridão. E tudo aquilo que era certo se torna incerto, tudo que era essencial parece supérfluo, tudo que era verdadeiro parece tolo... não há mais certezas, não há mais firmeza, agora tudo é solto e imaterial. Muda as concepções, e a única certeza que se tem é que tudo é mutável. Para isso não é preciso tempo. Um passo a frente e pronto: tudo parece fora do seu lugar, e ficam apenas as marcas da poeira no chão. E é assim que se chega a conclusão de que os antigos valores eram rígidos demais, irreais. Se constata que o certo e o errado são suposições. Se entende que poucos conceitos estão perto da verdade até que se sinta na pele. Até aí são apenas possibilidades... Julgamentos são, assim, arriscados demais, precipitados demais, injustos demais. E o que fica é a vontade de sentir, de ficar, de deixar, de viver...

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Eu

Me encontro
Me perco
Nesse vai e vem
Eu vou

Às vezes solta
Às vezes solto

Me prendo ao passado que deveria ter passado e ficou
Me deixo levar pelo vento que balança o cabelo e arrepia a pele
Me deixo cair no ritmo da folha que cede aos apelos do outono
Me faço leve para que a brisa serena me leve com ela para outro lugar

Me encontro perdida
Me perco para me encontrar

Me faço pequena para caber no teu colo e poder me aninhar
Me faço segura para encontrar a cura do que me faz tremer
Me faço de boba para que tua palavra não consiga me ofender
Me faço bonita só para você me ver

Te vejo
Me lanço
Te alcanço

Assim eu vou, até me encontrar...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Reflexões soltas...

Eu desconfio...
... De certezas absolutas
... De medos invencíveis
... De amores desmedidos
... De sonhos impossíveis
... De dores incuráveis

Eu acredito...
... Na fé inabalável
... Na vontade de vencer
... No encontro de almas
... Na consciência dos limites
... No poder da cura!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Decisões!

Algumas decisões precisam ser tomadas, e não há mais como adiar. Afinal, adiá-las é impedir avanços, é atrasar o bem que se pode ter, é evitar os sorrisos...
Não há mais ninguém que possa me fazer triste. Ser feliz é um estilo de vida, mais que um estado de espírito, e deve ser independente do externo. Cada um compartilha da minha vida na medida que permito!
Nada me atingirá tão fortemente. Sensibilidade não é sinônimo de fragilidade. Me faço forte daqui por diante, me faço firme em minha opção pela felicidade!
Vou suportar minhas dores sem sofrimento. Afinal, sofrer é opcional, ainda que a dor seja compulsória...
Hei de me permitir dizer mais “sim”. Dizer sim pra vida e suas surpresas é uma boa forma de abrir caminhos, permitir que novas vidas adentrem, que velhos sonhos se realizem, que aqueles medos se dissolvam...
Farei aquilo que me cabe no tempo que posso. Ir além dos limites pode ser desgastante demais, e toda a minha energia é necessária! Nada de angústia nas ações, nem atrasos nas buscas. Não vou mais me perder nos caminhos!
Nossas escolhas não determinam apenas quem somos. Elas dão forma à nossa vida, moldam nosso caráter, encaminham nossos passos e nos fazem o melhor que podemos ser!